Entreveista Com Régio Paniago Carvalho

Publicado em 31/10/2015 às 11h56

Arquiteto Régio Paniago Carvalho - Acústica Arquitetônica

(FONTE: http://www.vibranews.com.br/index.php?id=25)


Causos acústicos

Basta conversar alguns minutos com o arquiteto Régio Paniago Carvalho para ficar convencido de sua experiência e paixão pela acústica. Este sentimento, com certeza, mobiliza esse goiano (55 anos) a tocar seus projetos, nos quais combina base científica com extrema sensibilidade e perfeito domínio dos segredos da arquitetura. Formado pela Universidade de Brasília, iniciou sua vida profissional na implantação da então recém construída Radiobrás na Amazônia Legal na década de 70. Lá, enfrentou muitas dificuldades de acesso à informação especializada. Viu-se obrigado, então, a pesquisar a essência do comportamento acústico dos materiais nas suas várias formas de aplicação, conciliando os recursos naturais próprios de cada região com as necessidades das obras ali executadas. 

Na iniciativa privada, Régio projetou e forneceu consultoria para implantações de emissoras de rádio e televisão em Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo. É autor do livro “Acústica Arquitetônica”, instrumento importante para nortear consultas teóricas e procedimentos práticos. A obra está sendo atualizada e será relançada breve. Atualmente, é diretor técnico da Arch-Tec (www.arch-tec.com.br), que executa projetos acústicos.  Atende Banco do Brasil, Banco Central do Brasil, SBT,Grupo Pão de Açúcar, Paulo Octávio Investimentos Imobiliários, HC Construtora S/A, entre outras empresas. Nesta entrevista exclusiva ao jornalista Ailton Fernandes, editor do Vibranews, analisa os principais assuntos do setor e conta interessantes causos acústicos.

P – Conte alguns causos que já enfrentou em sua atividade profissional?
R – Certa vez, fui chamado para resolver um problema acústico Banco Central, na sala de reunião do COPOM, no Banco Central. Lá, entre outras coisas, havia uma mesa enorme, com muitos assentos, e com um caixão sobre ela onde se conectavam microfones, caixas acústicas, etc. Tinha um microfone para cada assento. Entramos para corrigir o tempo de reverberação. Desligamos os microfones e as caixas acústicas. Resultado: todo mundo passou a falar e ouvir melhor, com muito mais conforto. Era só uma questão de tratamento acústico apropriado.

P – Tem lembrança de outro caso curioso?
R – Outro caso interessante envolveu um advogado e um promotor de justiça e foi parar nos tribunais. O advogado morava numa cobertura duplex e o motor da piscina, usado na troca de água, não produzia um barulho substancial, mas o processo vibratório do motor em funcionamento gerava, na sequência, ruídos de baixa frequência para o apartamento do promotor. O advogado não autorizava ninguém entrar no apartamento para ver a origem do barulho. Fui contratado pelo promotor de Justiça. Fiz um laudo minucioso, com aferições 24 horas a cada três horas, e detectei que a origem do barulho era o motorzinho da piscina. Tudo isso sem entrar no apartamento. Quando houve a audiência, o juiz acolheu o laudo e deu ganho de causa ao meu cliente. Aí, o advogado precisou fazer uma intervenção para resolver o problema.

P - Por falar em casos acústicos, como avalia a iniciativa da Vibrasom de promover o 3º Seminário Soluções em Tratamento Acústico, em São Paulo?
R -  É uma atitude louvável e deve ser apoiada por todos os profissionais do setor.

P - Como analisa as novas tendências para tratamento acústico no Brasil?
R – O ruído é um subproduto do progresso (e da ignorância também). Se de um lado existe um avanço considerado das construções de concreto armado; por outro, existe um retrocesso na questão de conforto acústico. Você pega os apartamentos mais antigos de São Paulo e veja se existe reclamação de barulho por parte dos vizinhos? Agora, nos edifícios novos, as reclamações são freqüentes e procedentes.

P – Por que isso acontece?
R – A relação entre a espessura da laje e o vão são impróprias. Ao longo do tempo, a laje foi diminuindo de espessura. Começou a se comportar como um tambor, uma caixa de ressonância, cuja função é de realçar ruídos de impacto. Quando você aumentar o vão, não se esqueça da laje.

P – Qual sua opinião sobre o nível dos profissionais do setor?
R – Hoje, tem muita gente boa. Não vou citar nomes, mas é um processo lento.Passa pela mudança na legislação e no comportamento dos consumidores. Por exemplo, uma construtora vende um apartamento de alto padrão. De repente, o morador começa a ouvir “toc toc” do sapato da vizinha, barulho da válvula de descarga. O que ele faz? Ele tem consciência de seus direitos?

P –Mas a NBR 15.575 não veio para defender os direitos do consumidor?
R – Foi um grande passo. Vai ajudar a conscientizar as construtoras a terem mais responsabilidade. Não pensar só em dinheiro. Agora, está norma não fala só sobre acústica. Acústica é só um item. Mas deveria ser mais abrangente. Está sendo colocada apenas para edifícios de cinco pavimentos. Por que não todos?

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